27 de maio de 2011

Tempo




O tempo convertido ao nada, o nada que subtrai o tudo, ilusão ou necessidade, não sei. Anelo o tempo que me vive, contamina, rasga, sangra, emociona. As trevas que me acolhem em leito vazio, escuro. Fecho o ventre para evitar que fecunde novamente o tempo. Paridos os sentidos partem à vontade sem comando da razão que nos distingue. Apreciar o puro, sem controlo de conquista, satisfação alterada como troféu. O que nasce livre assim permanece, infinito o compromisso de cuidar suave, tranquilo, sereno. São diversidades imediatas que descontrolam o elo que se firma, aborta o que foi fecundado. Era semente a florescer, sem rega pelo tempo, pelo espaço infinito da visão dos sentidos, morre. Há momentos que subtraía todos os sentimentos, converter-me a pedra e sentar um outro para repousar em mim. Ser fortaleza, castelo de sonhos. Ilusão, não era mais que a necessidade primária em descansar, logo recuperado o corpo, a viagem continua no que realmente consigna a vida, verbos no incondicional. Como todo o tempo, há dias que se vê o sol, outros chove. Nos de chuva protegemos o corpo, tão-só o protegemos, a essência é inviolável. Curiosamente é nestes dias, de chuva, que vamos ao íntimo de nós, a água faz espelhar a silhueta e obriga a olhar para dentro de nós. Fazer restauro nas paredes que envelhecem, nas portas que se fecham, por fim contruir nova janela e abrir. Ver novamente o mundo, os sonhos, a vontade de ir lá fora porque o sol sempre nasce, é único! Nesse instante surge o caminho e o impulso para abrir novamente a porta sem recear o que vai encontrar. Sabe que há calor, durante o tempo que fez do nada, Tudo! E tudo é impregnar a pele desse calor, confortar o silêncio em olhar mágico e deslumbrado pelo novo caminho, surge então, o abraço à realização. Con(tudo) enquanto a porta não se abrir pelo tempo, o Tudo é Nada!


Sonya Monteiro Santos