13 de janeiro de 2011

Inveja


A inveja é prima do ciúme e vive acompanhada da baixa auto-estima

“Certo dia, uma serpente voraz tentava abocanhar um indefeso pirilampo, quando este se voltou para ela e lhe perguntou – senhora serpente, como é que um animal tão poderoso me deseja aniquilar? A serpente respondeu – o teu brilho fascina-me e, como não o posso ter, tenho que te matar”.

Esta pequena história, ilustra muito bem o que o é a inveja. Está presente o desejo de destruir o outro, seja de que maneira for, porque é impossível conviver com o seu brilho. Esse sentimento que corrói por dentro é que nos faz tentar destruir aquilo que o outro tem de bom e que julgamos ser injusto.

Certo é que, todos nós num momento ou noutro, já olhámos para alguém e o invejámos. Para alguns, este sentimento constitui até o motor para tentarem ser cada vez melhores e atingir objectivos mais arrojados.

Invejam a casa do amigo? Então tentam arranjar um emprego melhor de forma a conseguirem comprar algo equivalente. Nessa situação, digamos que não estamos perante a face mais negra da inveja, mas sim uma versão mais leve, que tem a ver com o desejo de ser como a outra pessoa, mas que não passa por destrui-la. As raízes da inveja

A inveja, na sua essência, vai por outros caminhos bastante mais negros. O juízo que é feito acerca dos actos do invejado é a mola impulsionadora da inveja.

Avalia-se o outro e, de imediato, consideramo-lo melhor. Sim, porque ninguém inveja o coitadinho, nem pretende ser como ele. A inveja forma-se, então, a partir do momento em que ao nos comparamos com os outros, nos sentimos inferiores e menos capazes de realizar actos dignos de admiração.

Sedimenta-se um complexo de inferioridade e de frustração. Então, já que não se conseguem comparar a ele, só lhes resta destrui-lo de que maneira for. A crítica é uma das armas mais comuns.

Criticam, falam muito mal de alguém que, por vezes até nem conhecem mas que, de algum modo foi tocar fundo numa fragilidade qualquer que é só deles. Acham que tem demasiados namorados, que fez muitas plásticas, que anda sempre em festa... confundem o exterior com o interior e inferem então que, assim sendo, só pode ser uma pessoa fútil, desinteressante e desprovida de sentimentos. O invejoso não é amigo. É rival!

Outra característica presente no invejoso é que dificilmente escuta os outros. Sempre que está em situação em que ouve coisas que lhes estimulem a inveja, opta por mudar de assunto. Não é tolerável ouvir falar nas conquistas do outro, na promoção profissional, nas férias de sonho.

Há que mudar rapidamente de rumo e mostrar o relógio novo ou contar o último filme a que assistiu. Também lhes é difícil aceitar sugestões ou conselhos porque consideram que isso é um modo de se rebaixarem. Não podem receber, portanto não sentem gratidão. Isso implica que a sua capacidade de amar e de sofrer, esteja seriamente comprometida.

Sendo a amizade uma relação de partilha, por excelência, está por isso vedada. É-lhe impossível construir relacionamentos onde haja confiança, cumplicidade e companheirismo. Por tudo isto, normalmente o invejoso vive mal e tem poucos momentos de felicidade.

Vão trilhando um caminho que os conduzem à sua auto-destruição, porque não se aceitam como são nem tampouco tentam valorizar-se e crescer como pessoas.

Estão demasiado ocupados em destruir os alvos que traçaram, pelo que não lhe resta energia suficiente para mais nada. Tudo o que conseguem é insuficiente e desvalorizado. O resultado é o desperdício de uma vida entregue a frustrações.

Texto da autoria de Dr.ª Teresa Paula Marques


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