17 de novembro de 2010

Voa como um Anjo

- É esta a voz interior.


Um dia sereno, tranquilo, o silêncio sem voz exterior. A outra voz que me invade o corpo permanece nas melhores recordações vividas onde deleito tranquilidade.

Mágico o sorriso, olhar e toque tranportam a essência de esperança ao continuar caminho. O desfiladeiro começa a mover as montanhas que escondem as estrelas, o sol e a lua. Tem a sombra de ti.

Começo agora a ver-te ao longe, uma distância abismal que nos separa, não sei se caminhas para mim, ou se te estás a afastar de mim e de ti. Procurei-te com o meu corpo e voz, caída com o olhar que apenas tu conheçes. Não sei nada, não sei se quero saber mais de ti quando a consciência me grita que não te importas mais, no entanto o coração bate na consciência e grita o contrário.

Não sei, a todas as perguntas respondo o mesmo, não sei! Posso tentar voar para ver mais perto o teu caminho, a tua direcção. Ao voar e ver-te no caminho sei que as minhas asas podem não aguentar, cair numa queda sem volta, mergulhada no mais infinito universo das estrelas que um dia nos iluminaram. Vou mais além!? Não sei... hoje não sei... talvez amanhã...

Sei outras coisas da vida, outros olhares, pessoas ávidas que esperam a queda como abutres. Posso não saber muitas coisas, há outras que as sei de cor, jamais me levam em voo livre para refeição de gula.

Sou o que sou, em mim sou eu, vou onde quero e desejo ir. Posso sofrer ao desistir em cada dia quando dou cada passo, no presente pensei ouvir uma palavra de atenção, cuidado e saber. Não ouvi, nada que me surpreendesse, terei em mim sempre a esperança e o acreditar, sou e serei sempre assim, não quero mudar!

Quando as minhas mãos tocam o teu rosto, o meu olhar mergulha em ti, vejo-te nu, despido de tudo, o teu olhar não engana o amor que me sentes. Envergonha-me o teu novo caminho, não por mim, por ti.

Um amor próprio que alimentavas dia após dia, agora não o encontro mais, será que não sentes vergonha!... ou simplesmente é porque não sabes quem voa contigo no presente.

Será que voa mesmo, ou é parasita que alimenta o teu ser para não definhar a fome. Se não sabes, então não queiras saber, é triste e humilhante demais para todos os que sabem e gostam verdadeiramente de ti.

Vou esquecer, olhar em redor cada asa que me conforte e saiba ver mais além que os olhares de gula. Raramente encontro valores que me identificam a Alma. Há momentos únicos, partilhas e confidências, gritos de dor audiveis e disponíveis nos sítios onde pensei não existir. Tenho sorte, a vida oferece-me essa sorte ao comungar seres únicos e verdadeiros.

Continuo no voo como um anjo à espera do amanhã que vou encontrar, sei que o sorriso vai nascer novamente na verdade, dirigido a quem algum dia saiba olhar para além do que os olhos alcançam e mereça tudo o que sei e posso dar, é muito, imenso, sem medida de nada, é incondicional. Como tu próprio sabes. Ninguém em lugar algum te vai oferecer as mesmas asas. Nelas repousavam confiança, amor, respeito e partilha.

Agora eu, sem pressa, voo para perto do sol que me conforta os dias, repouso nas estrelas que me iluminam sempre que penso entrar no abismo. Amanhã será alegria e realização o que irei sentir. Posso não saber muitas coisas, no entanto há outras que as sei na plenitude. Toda a vida que vivi deu-me estas asas para continuar a voar livre, numa liberdade partilhada com quem me cuida, ama e protege.

- Voa como um anjo. - É esta a voz interior.

Sonya Monteiro Santos


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