28 de novembro de 2010

Ecos


SOLTA-NOS AS AMARRAS



Noite companheira dos ecos do passado
Lembranças atadas de Estória inacabada
Neste presente flutuam ecos de palavras
Da lembrança que não as deixo prender
Soltar amarras, liberdade memória de ti
Numa noite fria que me alenta o querer
Da Estória vivida em sequências únicas
Trazem no ventre a vontade de te gerar
Em nós o futuro sem pressa de terminar
São ecos que me arrastam de novo aqui

Sonhos sonhados que por ti sempre vivi
Quero depressa o amanhecer e te sentir
Dizer que esta noite estive dentro de ti
Partida aos ventos do frio que me gelam
Em torno das melodias que não entendo
Arrasto o vento sem a pressa de chegar
Solto as amarras nesta Estória para voar
Repousar em nossos corações magoados
Os ecos foram pelo tempo desperdiçados
Do nosso imenso querer comungar a vida

Estou presa à dor deste escuro presente
Sem saber para onde olhar, são os ecos
Ecos do passado que me trazem angústia
De não saber se solto as amarras de vez 
Se espero ouvir a tua verdade nua e pura
Renascer o acreditar roubado pelos ecos
São os ecos do passado, deste presente
Que definham sem dó todo corpo inerte
Jaz vivo com amarras do ainda querer-te
Dentro de mim no presente escuro e frio

Toca-me nas duas mãos que estão frias,
Devolve sorriso numa esperança de calor
Fala-me alto no silêncio do teu acreditar
Tira as amarras, destrói todos os muros
Com coragem, viver ao ouvir novos ecos
Solta-me as amarras para ter nova vida
Conseguir caminhos livres para aquecer
Dar-me um novo alimento ao meu corpo
Cedo demais para definhar para sempre
Solta os ecos, todas as nossas amarras

Sonya Monteiro Santos

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