1 de dezembro de 2009

Parecia que estava a melhorar...

Parecia que estava a melhorar, o sol começava a brilhar, pouco a pouco como quem vive o dia-a-dia com esta condição, nascia a esperança, algo que tento não perder, difícil alguns dias e por conseguinte aguardo o próximo. A concentração começa a desaparecer, o ruído inflama os sentidos e não consigo estar em pé, o movimento das pessoas provoca tonturas, as palavras custam a surgir, a ansiedade instala-se por sentir que afinal a condição está para ficar. É crónica e não tem cura, é invisível e incompreendida, escondo-me! A casa é a gruta, ausente do mundo, das vozes e movimentos. Tudo pára! A dor instala-se como a melhor companhia, sinto-me gélida por dentro, nada me aquece ou conforta. Sei que uma crise está perto, os últimos dias não foram fáceis, a ansiedade bloqueia-me por completo, o pânico de sair da gruta faz-me sombra do que já fui e sei que não posso voltar a ser. Mesmo assim os sonhos permanecem como que adiados, quando adormeço quero sair de mim livre sem sentir o saltitar da dor, encolho o corpo! Nada me alivia. Talvez uns braços, um olhar, um toque, um sorriso perto... talvez... um dia tenha tudo isso comigo e possa saborear os dias como a balança que compensa esta condição. Se esse dia não chegar o mundo também não acaba. Não acaba também no dia do descanso do meu corpo onde tudo termina para esta condição que me escolheu sem eu ter qualquer vontade. Não sei se é melhor morrer num curto espaço de tempo ou mesmo de repente do que morrer todos os dias um bocadinho como penitência e castigo sem ter feito algo para o merecer. Resta-me a coragem, os amigos, a família... embora nenhum deles sinta verdadeiramente esta dor, e ainda bem!


Sem comentários:

Enviar um comentário