27 de outubro de 2009

As minhas viagens...

Há imagens que ficam para sempre na memória. Imagens captadas no momento a olhar o mundo, as pessoas... observar... simplesmente observar! Aprecio o silêncio num olhar... sabes do que falo? Sinto mais do que alguma vez conseguirei expressar... será sempre assim!? Por vezes sinto que o mundo não é este onde estou... apetece-me sair, ir para longe de tudo... porque será? Caminho numa realidade que não percebo, olho a miséria nas coisas, dos valores, da pressa automatizada nas pessoas e continuo o meu caminho... para o trabalho... para casa... capto momentos... Vidas de alguém que o meu olhar cruza, porque me prende a atenção? Vejo a publicidade... capto a mensagem!... precisamos disto tudo? É esta a nossa vida... foi para isto que tivémos a benesse de nascer? Andar... caminhar... viver sem viver... sobreviver..., conceito que melhor define aquilo que não controlamos, um dia temos e num outro qualquer acaba... Sim, acaba! É a maior certeza da vida, a nossa própria mortalidade! Sorrimos para esconder tristeza que persiste dentro de nós, temos angústias, medos, incertezas... Queremos sempre mostrar o quanto estamos felizes, porque será!? Por vezes temos a coragem de chorar perto de alguém... Por estes dias numa das grandes entrevistas acerca do dia mundial do cancro ouvi a seguinte afirmação: - Infelizmente as pessoas só alcançam a consciência da vida quando tocam a consciência da sua mortalidade, que é o caso das pessoas a quem doenças incuráveis acolhe, muitas dizem o mesmo que parece simples mas traduz exactamente o contrário, num testemunho: - A vida nunca mais será a mesma! aproveitamos cada dia, fazemos o que nos dá prazer, respeitamos os outros e vivemos sempre como se fosse o último dia! Esta afirmação vai muito além do comum das pessoas... Identifiquei-me com ela! Porque terei esta sensibilidade? ... nunca me senti a aproximar do fim!... Será a mesma sensibilidade que me lembra o estar num corpo quando sinto dores ao fazer algo simples como escrever com uma caneta? ... Nunca entenderei o porquê de aqui estar... o amor que consigo sentir por todos aqueles que amo angustia-me quando sinto qualquer limite para o demonstar! Quero cuidar, proteger e continuar a amar ... Não tenho cabanas no meu amor... esse não é o mundo onde me encontro... ! é para além disso... Mergulho na vida quotidiana, sorrir... terei um bonito sorriso que contagia quem está perto ... assumo as vaidades... gosto de mim primeiro pelo que sou! assumo a vaidade social, integração num espaço de matéria onde a presença física circula entre nós... tudo o oposto daquilo que na verdade sentimos!... Muitas vezes penso... se me dessem a escolher para aqui não viria... ficava com a energia pura de alma que carrego e que espero um dia voltar! Nesse dia tudo o que lutámos para ter apenas levamos a única coisa que nunca poderá ser medida... o amor que semeámos, cresceu e conseguimos sentir para viver! So will always be ... sometimes it may seem the opposite ... but the appearances are always there!

Sonya Monteiro Santos

1 comentário:

  1. Como flui o sentir e o pensar,e se exprime tão "levemente"entre o aqui e agora e o além;entre simplesmente exprimir-se ou fazê-lo com possíveis limitações....
    Como é possível desnudar-se um pouco,dando a conhecer-se de uma forma aparentemente directa,mas de quem sabe o que quer de si e dos outros....bem-haja

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